Artigos. A função da memória no aprendizado da matemática
Embora a aprendizagem por memorização seja muito questionada atualmente, não devemos esquecer de que a memória é uma ferramenta fundamental para o aprendizado da matemática. É preciso utilizá-la como um instrumento, e não como um fim em si mesma.

O que é a memória ?
A informação obtida mediante um processo de codificação, transformando-a em representação interna, é passível de ser introduzida na memória. Em termos mais simples, só recordamos as coisas que adquirem um significado por meio de uma análise anterior. É impossível exigir que uma criança se lembre do que não compreendeu.

Só gravamos uma pequena parte das informações captadas. Quanto mais profunda é a análise, maiores as possibilidades de retenção da informação. Por exemplo, a criança pode associar um número a seu nome (1-um), mas se o relacionar a uma determinada quantidade de objetos, será muito mais fácil retê-lo na memória. Em outras palavras, o que ele memoriza é o conceito, e não o "desenho" do número.

A memória tem um papel fundamental na aprendizagem, e qualquer atividade que a reforce será de enorme utilidade para a criança.

Memória de curto prazo
A memória de curto prazo intervém quando se recorda o número de um telefone que acabamos de ler, quando escutamos alguém falando ou escrevemos algo que está sendo ditado. Trata-se de uma memória de trabalho, constantemente utilizada, em que circulam as informações que estão sendo processadas.

Sua capacidade é limitada e sua duração, também. É preciso muita atenção para ampliar esta habilidade. Por exemplo, uma ordem longa demais pode não ser registrada por inteiro, e portanto, pode ser mal interpretada.

Este tipo de memória é instrumental. Na aprendizagem da matemática, ela é acionada em exercícios de tabuada e nas fórmulas para resolver problemas. No entanto, agilizar as operações não assegura resultados positivos.

Memória de longo prazo
A memória de longo prazo possui uma capacidade de armazenamento imensa. As informações gravadas permanecem nela de forma duradoura. O problema é saber recuperá-las, o que depende dos índices associados à informação no momento da codificação. Este índices são de natureza variada: visual, afetiva, auditiva. O importante é enriquecer o contexto evocativo da informação que se deseja recordar.

O uso de cores, canções ou histórias assegura a sinalização da informação na memória. Por exemplo, você pode ensinar a seu filho uma canção com números múltiplos para que os retenha na memória, usar a cor azul para a soma e vermelha para a subtração, ou contar uma história fascinante sobre os números.

É preciso levar em conta que cada criança possui uma forma própria de recuperar a memória, e os pais podem estimular os filhos a descobri-la e treiná-la.

Algumas dicas de memorização
É impossível recordar alguma coisa sem primeiro tê-la compreendido. Por isso, é importante fornecer à criança explicações simples e claras. Em um segundo momento, é aconselhável discutir a informação para ter certeza de que foi incorporada.

Uma das regras de ouro da aprendizagem é associar um conhecimento novo a outros já estabelecidos. Sempre que possível, convém relacionar a informações a questões práticas ou atividades da vida cotidiana. Por exemplo, a criança lembrará melhor as medidas de volume se colocá-las em prática em uma receita culinária.

Também pode-se utilizar a mecânica de "associações absurdas". Cante para seu filho uma canção que confunda os resultados de operações matemáticas simples. Quanto mais incorreto for o resultado, melhor. Desta forma, ele terá a chance de descobrir o erro e sugerir a solução correta.

Finalmente, um contexto divertido ou associado a um jogo reforça a absorção e permanência da informação recebida.
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