Artigos. Uma criança pode aprender lógica?
Embora pareça um tanto prematuro, as crianças começam a adquirir as primeiras ferramentas lógicas antes de frequentar a escola. Este artigo apresenta algumas sugestões para você ajudar seu filho neste processo.

O que é uma atividade lógica?
A lógica está muito ligada à linguagem e aos mecanismos de percepção e codificação. Uma atividade é lógica quando a percepção de uma informação supera o campo dos sentidos e é percebida de uma forma significativa. Por exemplo, quando observamos uma planta e nos maravilhamos com seu perfume, tentamos associá-la a outros perfumes que conhecemos ou ao grupo de plantas ao qual pertence.

Uma imagem mental ou uma descrição verbal não são fotografias do real, mas construções simbólicas. Na verdade, não se pode distinguir com tanta clareza a atividade lógica dos objetos sobre os quais é exercida.

As atividades lógicas da educação infantil começam com a análise das propriedades dos objetos. Depois avança para a constituição de conjuntos e, por último, sobre a simbolização. Ou seja, a abstração de uma observação. Ela é fundamental para a compreensão dos conceitos matemáticos e abrangem as habilidades de classificação, de relacionar causas e de quantificar.


Classificar para conhecer
A atividade de classificação é condição necessária para o conhecimento. Se somos capazes de entender e discernir as relações entre as coisas que percebemos, de opor detalhes às características importantes, isso se deve à visão de conjunto. Desta maneira, construímos uma hipótese e selecionamos os elementos correspondentes dessa hipótese. Uma seleção consiste em reter alguns elementos em função de um critério determinado, descartando os demais.

Uma criança pequena já é capaz de classificar imagens ou objetos em categorias significativas para ela. Essas atividades vão da identificação de quem são seus amigos em uma foto grupal, à classificação de objetos segundo cor, tamanho ou forma.

Existem pelo menos três maneiras de ensinar uma criança a classificar. A primeira é apresentando a ela um grupo de objetos já classificados e pedir que acrescente outros com o mesmo critério. Outra forma é mostrar-lhe um grupo de objetos, entre os quais se encontrem alguns que não se encaixam em um determinado critério de seleção, e pedir à criança que os retire. Por último, apresente uma série de objetos ou imagens, e pela que a criança os classifique segundo um critério estabelecido ou próprio.


Relação de causalidade
Embora esta habilidade exija um tempo prolongado, a criança pode começar a desenvolvê-la antes de iniciar a vida escolar. O primeiro contato da criança com a causalidade ocorre quando ela comprova as consequências de seu próprio comportamento: quando pinta, sua roupa pode ficar manchada.

Mas além de compreender a relação causa-efeito em termos de conduta social, por volta dos quatro anos seu filho pode se fazer perguntas como: "o que aconteceria se...?" "Por que será que tal coisa aconteceu?" Não é à toa que esta fase é conhecida como a “idade dops porquês”.

A busca de respostas pode ocorrer por meio de experimentos simples. Por exemplo, misturar cores primárias para obter uma secundáriauno secundário; colocar um prego e uma rolha em um balde para ver qual deles flutua; colocar uma forma de gelo com água no congelador para ver o que acontece. A atividade em si deve seguir uma resposta simples, segundo a idade da criança, para que entenda por que aconteceu uma coisa e a relação de consequência com a ação.


Conceito de quantidade
Mesmo que uma criança pequena seja capaz de tirar de um conjunto o número de objetos pedidos, isso não significa que tenha interiorizado o conceito correspondente de quantidade. Até os cinco anos, a criança não consegue abstrair as qualidades essenciais da coisas e diferenciá-las das qualidades acidentais. Ou seja, nesta fase o conceito de quantidade está estreitamente ligado à percepção direta do objeto.

Por isso é importante aproveitar as atividades cotidianas para ensinar-lhe os números e desenvolver as habilidades lógicas. Os dedos são um dos primeiros elementos que utilizamos para contar. Mas também se pode contar os copos na mesa, as bolas de um saco, os degraus de uma escada ou os livros na estante da iblioteca.

Para as primeiras noções de soma e subtração, convém começar com exemplos práticos: "tenho 7 lápis, tirei 2, quantos sobraram?".

Lembre-se de que o importante é desenvolver estas atividades em um clima descontraído e divertido. A criança só aprende o que for significativo para ela, e o carinho dos pais é essenncial para que valorizem o aprendizado.

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