Artigos. Vamos brincar!
Nesta seção, começaremos a sugerir uma série de brincadeiras para você se divertir com seus filhos, organizadas por temas. Mas antes, oferecemos algumas reflexões para ajudá-los a compreender a importância dos jogos e brincadeiras, e a função dos pais como mediadores.

A importância de brincar
Por meio da brincadeira, a criança antecipa e experimenta situações da vida adulta, ao mesmo tempo em que desenvolve sua capacidade de pensar.

Os jogos e brincadeiras oferecem a possibilidade de encontrar novos caminhos, perguntas e respostas. Eles permitem à criança errar e tentar novamente, aprendendo com seus erros, e também expressar de modo simbólico seus conflitos, preocupações ou temores. A brincadeira é uma forma de reencenar uma situação problemática como forma de resolvê-la ou dominá-la, e ajuda a criança a afirmar sua personalidade ao descobrir suas potencialidades por meio dos acertos lúdicos.

Além disso, a brincadeira insere a criança no mundo dos relacionamentos, primeiro com seus pais, depois com seus colegas. Brincando, ela aprende os códigos que regem as relações humanas.

Finalmente, a brincadeira é a atividade em que tudo é possível. A diversão, a transgressão, o riso e a imaginação encontram um canal livre de expressão. Uma criança que brinca é alegre, criativa e sente-se livre para sê-lo.

Brincadeira sensório-motora
A criança passa por diferentes etapas do ato de brincar. A primeira delas é sensório-motora ou solitária. Surge após o nascimento e se estende até o segundo ano de vida, e consiste em repetir e variar distintos movimentos. O prazer deriva do domínio das habilidades motoras e da experimentação sensorial. A criança se diverte ao conseguir fazer com que os acontecimentos se repitam.

O bebê quase não presta atenção a outros bebês. Ele os trata como objetos, tira seus brinquedos, os empurra. Com estas ações, ele explora os limites do próprio eu.

Brincadeira paralela
Até os dois anos de idade, a criança procura seus colegas para estar com eles, mas continua brincando sozinha. Quando brinca, a criança explica o que está fazendo ou o que vai fazer. Ela demonstra que o amiguinho é importante, mas pelo desejo de imitar suas ações. As brigas por brinquedos são muito comuns nesta fase.

Brincadeira representativa ou simbólica
Esta fase se inicia aos três anos. A criança adquire a capacidade de codificar suas experiências em símbolos. Por exemplo, transforma papéis de bala em dinheiro para suas brincadeiras.

É muito comum que ela se identifique com personagens, revivendo fatos que a impressionaram. Ela passa a aceitar a participação de outros companheiros e a brincadeira se torna coletiva.

Brincadeira organizada
Surge em idade escolar. A criança começa a compreender os conceitos de competição e cooperação. Sua capacidade de refletir aumenta muito, e se expressa na assimilação e no respeito a certas regras e limitações. Compartilhar a realidade por meio de brincadeiras é o início da amizade.

Como acompanhá-los?
O acompanhamento dos pais nas brincadeiras dos filhos é importante, mas deve ser imperceptível. Sua função principal é o estímulo. É recomendável sugerir atividades e supervisioná-las, mas tentar intervir o mínimo possível.

Mesmo que você considere um jogo importante ou adequado para o desenvolvimento de seu filho, não é aconselhável obrigá-lo a fazer algo de que não goste. A brincadeira deve ser prazerosa, e prazer não combina com obrigação.

Se ele estiver entediado, sugira uma atividade, colabore no início e deixe que continue sozinho.

Observe as brincadeiras da criança e elogie seu desempenho, mas não tente fornecer indicações sobre a melhor forma de brincar: seu filho precisa experimentar sozinho e tomar suas próprias decisões.

Não imponha limites às brincadeiras com elementos imaginários, com comentários como "as vacas não voam" ou "super-heróis não existem". A verossimilhança não tem nenhuma importância na brincadeira infantil.
Artigos relacionados
Quem leu isto também leu...